Nelson Souza da Silva tinha 49 anos quando morreu de Covid-19. Ele não tinha comorbidades
"Homem de coração bom, honesto, batalhador, sempre alegre e com um amor incondicional pela família" Estes foram alguns dos adjetivos utilizados por Kamila da Souza Silva na história divulgada ontem (14) pelas Associações de Municípios do nordeste e planalto norte. A campanha busca dar voz às famílias que estão de luto, aos profissionais da linha de frente e às vítimas que se curaram, e assim conscientizar para os perigos da doença.
Nelson tinha 49 anos quando contraiu Covid-19. Sem histórico de comorbidades e com grande energia, a evolução da doença pegou todos de surpresa. Foram 12 dias desde o primeiro sintoma até a notícia de seu falecimento, no último dia 24 de março. O que no início eram sintomas comuns de gripe, rapidamente o levaram à internação. Na família, seis pessoas foram contaminadas ao mesmo tempo pelo novo coronavírus, incluindo Kamila, mas nenhuma delas com a gravidade que acometeu Nelson. "Foi tudo muito rápido. Quando ele foi internado já estava com 70% dos pulmões comprometidos".
Durante a internação, apesar de em alguns momentos ele aparentar melhora, a verdade é que Nelson não estava bem. "Nos dias em que fiquei com ele no hospital percebi que ele tinha medo de dormir, então eu o tranquilizava dizendo que ele poderia dormir, que eu continuaria cuidando dele acordada, e realmente eu não dormia", declara Kamila Souza da Silva, uma das filhas de Nelson. No emocionante relato feito por ela, a preocupação que Nelson tinha com sua família e seu trabalho se destacam. "Quando eu perguntava como ele estava ele só respondia 'tô bem' e dizia para passarmos bastante álcool, usarmos máscara e para não ficarmos sem comer, porque era muito triste ficar internado", afirmou Kamila.
Nelson era agente funerário e trabalhava na linha de frente, lidando diariamente com vítimas do vírus que mais tarde tiraria também a sua vida. "Ele sempre dava o melhor em seu trabalho, era muito dedicado e acima de tudo muito humano", disse. Ele deixou esposa, três filhos e um neto. Os colaboradores da funerária em que Nelson trabalhava fizeram um cortejo de carros fúnebres em homenagem ao colega.
Ao saber da campanha, Kamila procurou a Amunesc. "Eu queria poder falar para o mundo inteiro o quanto é necessário se cuidar e ficar em casa, e dizer que essa doença não é brincadeira. É muito triste ver pessoas por aí se divertindo em lugares públicos, como se nada estivesse acontecendo no mundo. As pessoas não têm noção do que esta doença é capaz de fazer. É triste ter que despedir de uma pessoa que você tanto ama sem poder encostar. Ter em sua frente um caixão lacrado, saber que ali está o grande amor da sua vida e não poder vê-lo pela última vez. Infelizmente meu pai se foi, mas tive uma grande lição de vida nesses dias difíceis: TEMOS QUE DAR VALOR PARA O AR QUE RESPIRAMOS. Se cada pessoa pudesse ver como é triste uma pessoa respirar com ajuda de aparelhos, as pessoas se cuidariam mais, ficariam em casa se cuidando e cuidando de seus familiares", concluiu.
Os materiais da campanha estão sendo divulgados nas redes sociais da Amunesc, Amvali e Amplanorte, as associações responsáveis pelo projeto. Pessoas interessadas em contar suas histórias podem entrar em contato com as assessorias, através dos e-mails imprensa@amunesc.org.br, imprensa@amvali.org.br e imprensa@amplanorte.org.br.

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